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Novembro Azul: Cannabis e Câncer de próstata

      No mês de Novembro Azul, não poderíamos deixar de abordar o tema da Cannabis e o Câncer de próstata. Como em todas as demais neoplasias, o uso da cannabis pode aliviar as dores causadas pelo câncer, mas será capaz de diminuir o câncer?

      Utilizando culturas de células derivadas de câncer da próstata e de hiperplasia prostática benigna, cientistas do departamento de medicina experimental da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, determinaram, por imunohistoquímica, a presença dos receptores CB1 e CB2 que estavam ainda mais expressos em tumores mais localmente avançados, com alta pontuação de Gleason (pontuação dada a um câncer de próstata baseada em sua aparência microscópica) diretamente relacionada ao pior prognóstico. Posteriormente, foi avaliado o papel de agonistas canabinóides dos receptores CB1 que demonstraram inibição do crescimento de células em todas as diferentes culturas do câncer de próstata. Este efeito foi demonstrado ser dependente da dose. A utilização de um bloqueador do receptor CB1 específico confirmou que este efeito foi produzido principalmente a partir da ativação do receptor de CB1. Desta forma, os endocanabinoides podem travar o crescimento das células por ativação de mecanismos apoptóticos, ou seja, induzem a morte das células malignas[1].

     O tratamento com canabinóides resultou em aumento na percentagem de células apoptóticas. Com base nestes resultados, os autores sugerem que os endocanabinoides podem ser uma opção vantajosa para o tratamento do câncer da próstata que se tornou sem resposta às terapias comuns. O 2 arachidonoylglycerol (2AG) já havia se mostrado como potente inibidor endógeno do crescimento das células do câncer de próstata [2].

     Segundo estudo italiano publicado na British Journal of Pharmacology em 2013, o  Cannabidiol (CBD) inibiu significativamente a viabilidade celular tanto “in vitro” quanto “in vivo” induzindo a apoptose das células malignas [3]. Em uma revisão australiana publicada em setembro de 2020 sobre estudos “in vivo” envolvendo os canabinóides e os efeitos antineoplásicos para câncer de próstata em  xenoenxertos em animais de laboratório mostrou que, em todas as análises, houve redução do tamanho do tumor. Os resultados dependeram da dose e da duração do tratamento. No entanto, mais estudos em animais bem planejados e controlados são necessários para confirmar esses achados [4].

Referências

  1. Orellana-Serradell O, Poblete CE, Sanchez C, et al. Proapoptotic effect of endocannabinoids in prostate cancer cells. Oncol Rep. 2015 Apr;33(4):1599-608. [PubMed]
  2. Nithipatikom K, Endsley M, Isbell M, et al: 2-Arachidonoylglycerol: a novel inhibitor of androgen-independent prostate cancer cell invasion. Cancer Res 15: 8826-8830, 2004 [PDF]
  3. De Petrocellis L, Ligresti A, Schiano Moriello A, et al. Non-THC cannabinoids inhibit prostate carcinoma growth in vitro and in vivo: pro-apoptotic effects and underlying mechanisms. Br J Pharmacol. 2013 Jan;168(1):79-102. [PDF]
  4. Singh K, Jamshidi N, Zomer R, Piva TJ, Mantri N. Cannabinoids and Prostate Cancer: A Systematic Review of Animal Studies. Int J Mol Sci. 2020 Aug 29;21(17):6265. [PDF]
  5. https://amame.org.br/cannabis/cancer-de-prostata/

 

Dra Selma Merenlender   CRM 52484252