E aí? Quando esta pandemia acaba?

E quando chegamos ao catastrófico número de um milhão de vítimas de COVID -19 no mundo, os sobreviventes não param de perguntar: “e aí, quando isto acaba?
Na verdade, a pergunta deveria ser primeiramente: “Será que isto acaba?” Não, não acaba. A COVID 19 chegou para ficar para sempre, como o Sarampo, a Dengue, e outras tantas doenças virais. Conviveremos nos próximos anos com pequenos surtos de doença, sempre que um bolsão de pessoas susceptíveis tiver contato com o vírus novamente. Sem falar no fato que ainda não temos certeza se poderemos ter a doença mais de uma vez, como a dengue.
Só para relembrar a Gripe espanhola, que era americana na verdade, teve três ondas nos anos de 1918, 1919 e 1920. E ceifou cerca de 50 milhões de vidas.

Com certeza estamos em um momento sanitário muito melhor que no início do século passado, com melhor acesso a saúde em todos os cantos do planeta.
Então a pergunta deve ser: “então quando a coisa vai melhorar?” Bem, para melhorar precisamos de uma das duas alternativas: A vacina ou atingirmos o que chamamos de imunidade de rebanho.

Quanto a vacina, temos já testes promissores, mas precisamos de estudos a longo prazo, não só para confirmar a segurança da vacina como também a efetividade dela. Hoje não sabemos se precisaremos de uma, duas ou três doses, e se será anual, a cada cinco anos ou mais. Afinal a doença ainda não fez o aniversário de um ano. Portanto não temos nem como saber se ter a doença irá nos proteger para o futuro. Não esperem uma vacina eficaz no mercado antes de meados de 2021. Vacina é como vinho, tem tempo de maturação.

Quanto à imunidade de rebanho, não temos previsão ainda. Até porque esta taxa ainda não é conhecida em nenhum país, pois a doença ainda não se estabilizou em quase nenhum lugar, ainda com surtos mesmo em países como a Coreia do Sul e Nova Zelândia.
O jeito então é aprender a conviver com a COVID 19, como já convivemos com outras mazelas bíblicas como a Hanseníase, tuberculose, cancro e tantas outras. Adaptar para sobreviver como já dizia Lamarck, aprender a usar máscaras, reativar os bons hábitos de higiene porem sem paranoia e vida que segue…

Dra. Selma Merenlender
CRM 5248425-2
Diretora Técnica Centro Multidisciplinar Fluminense.