Uso de Canabinóides na prática clínica

         A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) liberou em dezembro de 2019 a venda de produtos a base de Cannabis em todo o território nacional. Porém o plantio do Cannabis continua proibido no Brasil, e desta forma toda a medicação a base desta planta deverá ser importada. As regras para a importação são complexas mas a liberação, desde que cumprida as exigências, esta bem célere. 

         Trata-se de uma nova abordagem terapêutica, que se realiza dentro de um complexo sistema de neurotransmissores, conhecido como o Sistema Endocanabinóide, que conta com receptores em múltiplas células e órgãos, dando então ao medicamento múltiplas aplicações terapêuticas

          Dentre as mais estudadas estão a Epilepsia refratária a medicações usuais, Ansiedade, Dor Crônica e o Autismo, porém já com número significativo de estudos científicos para as indicações reumatológicas como Fibromialgia, Artrite reumatóide, Lupus Eritematoso sistêmico, Miorrelaxante, e até mesmo o uso local sob forma de cremes ou Sprays para lesões de pele em Lupus, Psoríase, Prurido cutâneo e outras. Sob o ponto de vista neurológico, estão em curso estudos para Demências como Alzheimer e outras.

           A maioria dos estudos ainda em fase preliminar, mas esta nova classe medicamentosa constitui uma nova esperança como Adjuvante no tratamento de patologias em diversas especialidades e veio para ficar. Alguns ajustes ainda serão necessários em doses e indicações, mas em países como EUA onde alguns estados já tem a medicação aprovada, relatam excelente efeito, em especial no controle de convulsões, ansiedade e dor crônica. 

           Em breve retornaremos ao tema, com foco em DOR.

 

Dra Selma Merenlender

CRM 5248425-2